Ramana Maharshi – O Mestre do Silencio

 Nesse post quero partilhar com todos vocês mais um local especial que tive o privilégio de visitar e estar por duas vezes. Viver no Ashram de Sri Ramana,  respirar o silencio das suas paredes, sentir a energia de pureza que emana do local, sentar junto com os devotos ao nascer do sol para cantar os “cantos védicos” e fazer o trajeto ( cerca de 14 km)  que o grande mestre fazia todos os dias, em torno do Monte Arunachala (Giri) , que segundo a tradição representa a encarnação de lord Shiva.

 Tiruvannamalai, localizada no Sul da Índia,  poderia ser apenas mais uma cidade em meio a centenas de outras, desse país milenar, mas, se distinguiu entre todas pois  foi nesse lugar, situado aos pés do monte Arunachala , que nasceu e viveu  um homem considerado santo, um dos  mestres mais especiais e importantes da Índia – SRI RAMANA MAHARISHI (30 de dezembro de 1878 — 14 de abril de 1950) .

Local onde ele viveu de 1816 a 1922

local onde ele nasceu

Shri Ramana Maharshi foi o grande representante da sabedoria milenar da Índia no século XX. Isso não significa que ele foi um acadêmico que sabia de cor e salteado os textos sagrados da religião, mas sim que viveu e  personificou à perfeição tal sabedoria. Na verdade, ele não escreveu nenhum livro.

o salão principal do ashram onde está o “Samadhi” e acontecem as cerimonias, canticos, etc

os canticos Vedas no “Samadhi”

Considerado um dos maiores sábios de todos os tempos, ficou conhecido no Ocidente através do livro “A Índia Secreta”, do jornalista e escritor inglês Paul Brunton, que retratou seus ensinamentos , transmitidos, na maioria das vezes, em silêncio absoluto aos seus discípulos. Outro autor famoso que deu destaque à Ramana Maharshi foi Paramahansa Yogananda, na Autobiografia de um Iogue, ao visitá-lo durante seu regresso à India em 1935.

movimento no Ashram

a caverna onde ele ficou muitos anos em meditação

Ramana era chamado pelos discípulos de “ o Mestre do Silencio”  pois não precisava  pronunciar nenhuma palavra  para dar a sua mensagem, bastava um olhar. E que olhar ele tinha.

O ” Olhar” do Mestre

Um olhar onde as pessoas podiam mergulhar profundamente e quando voltassem a superfície, estava diferente.

Ramana no seu quarto

Vivia de maneira absolutamente simples, vestindo apenas um  tipo de calça indiana, sem camisa a maioria do tempo, quer fosse inverno ou verão.

Caminhando no Arunachala, exercicio diário

Parada para descanso no "Giri" em volta do Monte Sagrado "Arunachala"

Parada para descanso no “Giri” em volta do Monte Sagrado “Arunachala”

 Na Índia, buscar a companhia de sábios e santos é algo muito importante, para aprender com os preceitos e exemplos concretos, e para obter suas bênçãos.

Entrada do Ashram

refeitório do ashram

Diversas personalidades, como  Mahatma Ghandi, foram ao ashrama visitá-lo. Ghandi, foi vê-lo para  receber o darshan (bênção conferida pelo olhar de um homem santo)  de Ramana ,  em busca de apoio para seu movimento de libertação da Índia. 

“Sadhus” que vivem na cidade

Sri Râmana Maharshi nasceu na região do Tamil Nadu, sul da Índia. Aos 16 anos, após a morte do pai, passou por uma vívida experiência relacionada à morte e, por seu intermédio, despertou para o estado que transcende, origina, constitui e engloba os campos físico, emocional e intelectual, passando a viver permanentemente nesse estado, por alguns denominado realização espiritual.

Ramana quando criança

Sri Ramana

Depois de algum tempo, abandonou sua casa e família e partiu como sadhu (peregrino ou eremita) para a cidade de Tiruvannamalai (190 km ao sul de Madras), onde passou o restante da vida na montanha de Arunachala, considerada por ele como uma montanha sagrada.

A montanha sagrada – Arunachala

local em que ele viveu em 1889

Ashram e o salão onde está o ‘Samadhi”

Sua presença,  irradiava uma grande paz, tornando fácil e natural a convivência na comunidade, inclusive com os animais selvagens que habitavam a montanha sagrada. O que  atraiu milhares de pessoas a Arunachala. A essência dos seus ensinamentos é o “Vichara”(self-enquiry), ou investigação direta, interior, por meio dos questionamentos: “Quem sou eu?”

“Samadhi”

Conhecer a verdade acerca de si mesmo é ser essa verdade, já que não somos dois, um para conhecer o outro. Cada um é a própria Verdade absoluta; ou Deus, para usar uma outra palavra.

Entrada da caverna onde ele foi iluminado e viveu por 17 anos (1889-1916)

entrada dos meus "aposentos" no Ashram

entrada dos meus “aposentos” no Ashram

Afirma-se que, no momento em que Sri Ramana faleceu, um magnífico astro, majestosa e lentamente, cruzou os céus da Índia, sendo visto em grande parte do país por inúmeras pessoas, que espontaneamente compreenderam o evento que ele anunciava.

 

A cidade de Tiruvannamalai

a cidade de Tiruvannamalai vendo-se o grande Templo de Arunachala dedicado a Shiva

detalhes das torres do templo

outro ângulo das torres do Templo

Com   cerca de 130 mil habitantes ( dados de 2001),  é uma cidade de peregrinação porque está associada aos centenas de yoguis e “siddhars” e recentemente, no século XX, ao grande mestre  Ramana Maharish que viveu no monte durante 53 anos.

o salão das mil colunas – Templo de Arunachala o maior da Índia dedicado a Shiva

 O seu Ashram construído aos pés do Arunachala,  hoje é um famoso e popular local de peregrinação procurado por devotos de todo o mundo e destino do turismo espiritual.

a cidade de Tiruvannamalai

Na cidade, está  localizado o maior templo dedicado ao deus Shiva, da Índia – O Templo de Arunachala . Foi construído por volta do século 9/10 pelo rei Chola do Império de Tamil.

O Templo de Arunachava visto da montanha sagrada

È um templo magnífico com torres de 217 pés, muralhas fortificadas, um salão composto por mil pilares e a imagem do touro Nandi, animal do deus Shiva representado nas diversas construções que compõem o complexo.

detalhes das esculturas das torres do Templo

Em Tirunnamavalai também viveram  dois outros   mestres especiais: Sri Seshadri Swamigal and Yogi RamSurat Kumar exemplos de vida  que deixaram também a sua herança espiritual nessa região ( São conhecidos apenas na Índia).

Os dias que passei nesse local  foram inesquecíveis . Um grande aprendizado onde o tempo deixou de existir.

Nesses dias apenas o silencio falava e o coração escutava. Namastê

Publicado em 8 de agosto de 2010, em Índia e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 7 Comentários.

  1. Me perdoem se não fui moderado no que a minha alma sente.

  2. Foi e continua sendo Uma Luz na escuridão em uma humanidade ainda embrutecida e longe das grandes verdades Espirituais, trazidas pelas Verdadeiras Arpas Vivas do Mundo Divino para sacudir as nossas mentes ainda tão pobres de Amor e Perdão. O Grande Mestre Ramana com toda certeza continua no seu apostolado de Amor junto a humanidade para que a mesma não sucumba no abismo da profunda ignorância que nos encontramos. Belíssima a matéria. Deus os abençoe.

  3. wanderley da silva lobo

    Oxala eu possa ainda um dia visitar este maravilhoso local onde viveu nosso mestre Ramana Maharishi

  4. Obrigada por me levar por alguns instantes de volta ao caminho. Shanti!

  5. É sempre edificante ouvir falar sobre meu querido irmão Ramana de quem sou devoto, mas ainda preciso aprender muito para poder assimilar seus ensinamentos sobre a vida e a sua razão de ser. Tantos são os porques que as vêzes nos perdemos na interpretação dos fatos. Penso que a vichara – processo de investigação pessoal que nos foi legado pelo Santo de Arunachala – se praticado com a vontade da alma e do coração sempre renderá frutos definitivos perenes. sebastião m. de moraes

  6. Que linda a reportagem. Lugar que muito quero conhecer é a India.
    Deus permita que umdia eupossa ir.
    Parabéns pelareportagem,maravilhosa.
    Boatarde.
    Maria

  7. Lena,
    A reportagem é linda. mas ainda não estou pronta para exercitar a arte do silencio…Ele é muito importante e, ao mesmo tempo, difícil para uma pessoa como eu, que ainda tenho muito que aprender, fechando a minha boca…
    De outro lado, so de imaginar uma pessoa, por 17 anos, numa caverna, meditando, já me dá arrepios. Acho que quando eu saisse de lá teria que tomar todas as doses de “FRONTAL” DO MUNDO…( brincadeira). Linda sua reportagem. Acredite: vai me fazer repensar algumas das minhas atitudes pessoais
    bjs
    nadja

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